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Em condicionamento de energia, nem sempre o usuário consegue adquirir o equipamento ideal para sua necessidade. Por falta de conhecimento suficiente ou de literatura específica, ou ainda informação adequada, acaba adquirindo equipamento incorreto para a aplicação desejada. Muitas vezes, a situação é até pior, pois adquire equipamentos de péssima procedência, que fatalmente produzirão efeitos contrários ao desejado.
Este artigo procura dar uma visão geral dos principais problemas que ocorrem com a rede elétrica, orientando o usuário no sentido de melhor informá-lo a respeito do equipamento mais apropriado para a sua aplicação. Você saberá quais são as aplicações e quando são indicados filtros de linha, estabilizadores e no-breaks.
A forma de onda fornecida pelas concessionárias de energia elétrica nem sempre está dentro das especificações que seriam as ideais para os usuários. Na pratica, o que ocorre é que a energia presente em nossas tomadas de força é impura, cheia de transientes e outros distúrbios que prejudicam consideravelmente o desempenho de equipamentos sensíveis como os de informática.
PROBLEMAS QUE ATINGEM A REDE ELÉTRICA E QUAIS SUAS SOLUÇÕES
1. Surtos de Tensão
São transientes de alta energia, que muitas vezes atingem a magnitude de kilovolts e aparecem na rede elétrica com muita freqüência, principalmente no verão pela ação de descargas atmosféricas (raios).
De todos os eventos críticos, os surtos de tensão são os potencialmente mais perigosos e provocam grandes estragos, queimando placas de computadores, placas de rede, winchester, fontes de alimentação, hubs, fiação de rede, etc.
Os efeitos destes transientes na rede telefônica, por terem uma impedância maios que a rede elétrica, são ainda mais danosos. Aparelhos de fac-símiles, KS, PABX e outros equipamentos conectados diretamente à rede telefônica sem a devida proteção, estão condenados a serem seriamente danificados.
Soluções:
Filtro de linha: quando possuem inteiramente um componente chamado de supressor de transiente (p/ rede elétrica) e centelhador à gás (p/ rede telefônica) resolvem o problemas.
Estabilizador de tensão: com filtro de linha interno equipados com os componentes descritos no item anterior, também resolvem o problema.
Nobreaks: idem ao estabilizador de tensão
2. Ruídos de Linha (EMI/RFI)
São ruídos de alta-freqüência provocados pela conexão de equipamentos como motores, ar-condicionados, fontes chaveadas, etc., à rede elétrica.
Dependendo da magnitude, provocam por exemplo, o efeito de chuviscamento na tela de televisores, monitores, etc.
Soluções:
Filtro de linha: corrige o problema desde que o filtro não seja uma simples "extensão".
Estabilizador de tensão: corrige desde que equipado inteiramente com um bom filtro de linha.
Nobreak: idem.
3. Distorção Harmônica
Este fenômeno é uma deformação da senóide (formato da onda) e é provocado por cargas pesadas conectadas à rede, do tipo de motores de indução, solenóides, geradores, etc., principalmente aquelas cargas com baixo fator de potência.
Este distúrbio pode provocar uma desenergização momentânea da fonte de alimentação do computador, travando-o.
Soluções:
Filtro de linha: não corrige o problema.
Estabilizador de tensão: não corrige o problema.
Nobreak: somente os nobreaks do tipo on line senoidal corrigem o problema.
4 e 5 Sub e Sobretensão de Rede
Estes eventos ocorrem quando o nível da energia fornecido pela concessionária ultrapassa os limites aceitáveis e suportáveis pelos equipamentos. Se a subtensão atingir valores extrapolados, pode provocar perda de dados nos computadores, distorção na tela de monitores e televisores, etc. Ocorrendo sobretensão, certamente haverá queima de equipamentos.
Soluções:
Filtro de linha: não corrige o problema.
Estabilizador de tensão: corrige o problema desde que o estabilizador esteja adequadamente dimensionado para a carga. Estabilizadores com transformador subdimensionado e sem o número correto de taps não corrigirão o problema.
Nobreaks: somente os do tipo "line interactive" e on line corrigem o problema.
6. Pequenas Interrupções (efeito Flicker)
Interrupções muito curtas no fornecimento da energia elétrica, com duração da ordem de milésimos de segundos e que quase sempre são imperceptíveis ao usuário. Provocam frequentemente perda de dados em arquivos de computadores ou travamento de sistemas.
Soluções:
Filtro de linha: não corrige o problema.
Estabilizador de tensão: não corrige o problema.
Nobreaks: corrigem o problema, ressalvando-se os tipos "STAND-BY" também conhecidos como "short-breaks" com grande tempo de transferência.
7. Grandes Interrupções (black-out)
Grandes interrupções de energia ou o que popularmente chamamos de "black-out". São geralmente provocadas por algum distúrbio grave nas subestações ou na rede de distribuição. Podem durar minutos ou se prolongar por horas. Este evento é o maior causador de prejuízos em empresas. Quanto mais informatizada a empresa maior o investimento que deverá ser realizado a fim de minimizar ou eliminar a atuação deste evento.
Soluções:
Filtro de linha: não resolve este problema.
Estabilizador de tensão: não resolve este problema.
Nobreak: elimina o problema. Entretanto, o usuário deverá atentar para o tempo de autonomia do nobreak, ou seja, a sua capacidade de fornecer energia durante a interrupção da rede elétrica.
8. Variação da Freqüência
A freqüência da energia fornecida pelas concessionárias é 60 Hz para todo o território nacional. A não variação desta freqüência, além de um limite não superior a +/- 0,5Hz é um sério compromisso que as mesmas assumem com os consumidores. Ocorrendo uma variação superior a este limite poderá provocar superaquecimento e até queima da carga* que estiver conectada à rede.
Os equipamentos de informática e entretenimento de um modo geral, embora sendo menos sensíveis ao efeito deste evento, não se deve ligá-los a uma rede de 60Hz (ou vice-versa) se forem projetados para atuar em rede de 50Hz (existentes em muitos países da Europa e da América do Sul).
Obs. entenda por carga qualquer tipo de equipamento ligado à rede como: motores, eletrodomésticos, luminárias, equipamentos de informática, etc.
ATENÇÃO : Os bons filtros de linha devem incorporar um componente conhecido como supressor de transientes. Filtros de má procedência que não tenham este componente em seu circuito elétrico não eliminam a maioria dos problemas que deveriam ser resolvidos por ele.
É importante também alertar que um bom aterramento (uso adequado do terceiro pino) é imprescindível para que todos os distúrbios da rede elétrica descritos neste artigo, tenham os seus efeitos minimizados.
COMO ESCOLHER O NOBREAK CORRETO
1- Qual a função dos Nobreaks.
2 -Dimensione a capacidade certa.
3- Verifique se existe um Estabilizador e um Filtro de Linha embutidos.
4- Nobreaks inteligentes são ideais para redes.
5- Os mais indicados são os Nobreaks Bivolt.
6- Maior tempo de autonomia desejável.
7- É necessária uma Assistência Técnica na sua cidade.
1- Qual a função dos Nobreaks.
A função básica do No Break é impedir o desligamento do micro ou periférico em caso de queda de energia. Isto vale não só para os casos de black-out total, mas é especialmente importante para proteger os equipamentos contra os efeitos "flicker" (microdesligamentos, que acontecem em frações de segundos e podem causar danos à máquina). Quando a energia se interrompe, o No Break aciona suas baterias e garante um tempo de funcionamento extra. Esse tempo é, em geral, da ordem de 15 minutos, um prazo suficiente para que o usuário proceda ao fechamento dos arquivos e desligue por completo todo o equipamento.
Existem, contudo, alguns No Breaks com baterias externas adicionais que podem atingir até duas ou quatro ou mais horas de autonomia. Neste caso, o usuário pode simplesmente fechar o arquivo ou até continuar trabalhando. Outra vantagem deste tipo de No Break, é a possibilidade de funcionar também, como um pequeno gerador de energia. Ou seja, mesmo sem energia na rede, o usuário pode ligar o seu micro com o apoio deste equipamento.
2 - Dimensione a capacidade certa.
A unidade de medida utilizada para determinar a capacidade dos No Breaks é o Volt-Ampère (VA). Como os equipamentos, em geral, têm seu consumo medido em Watts, a maioria dos usuários tem dificuldade em dimensionar o No Break adequado para seu micro e periféricos. Para resolver esta dúvida, há uma regra muito simples. Consulte no manual de seus equipamentos o consumo em Watts de cada um deles. Some todos esses valores e acrescente, pelo menos, 20% sobre o total para chegar à capacidade adequada do No Break.
3- Verifique se existe um Estabilizador e um Filtro de Linha embutidos.
Qualquer que seja o modelo escolhido, o usuário deve verificar se o equipamento é estabilizado e filtrado, isto é, se existe um Estabilizador e um Filtro de Linha embutidos. Só com o Estabilizador, o micro fica livre de problemas, como oscilações e picos de energia e, só com o Filtro de Linha pode eliminar ruídos provenientes de radiointerferência e interferências eletromagnéticas. Com Estabilizador e Filtro de Linha, é garantida ao usuário uma energia pura, estabilizada e isenta de ruídos.
Além da falta de energia, existem outras causas que podem travar o sistema, como pequenas oscilações e distúrbios na corrente elétrica, que podem ser interferências ou ausências, não sendo percebidas, na maioria dos casos. Esses distúrbios elétricos são responsáveis por danos irreparáveis, como parada de processamento, troca de dados, desaparecimento de arquivos e até Winchester danificado.
4- Nobreaks inteligentes são ideais para redes.
Os No Breaks podem ser convencionais (só com dispositivos eletrônicos) ou inteligentes, isto é, com um processador embutido (chip). Os convencionais resolvem perfeitamente o problema dos usuários de micros isolados, mas para usuários de rede, o ideal é um No Break com processador.
Além de cumprir todas as funções normais de um No Break, os equipamentos microprocessados emitem avisos da situação de carga das baterias, trabalhando em conjunto com um software, realizam o fechamento automático de todas as tarefas em andamento no servidor da rede antes do esgotamento total da carga das baterias. Com isto, só eles podem garantir segurança máxima para o seu sistema.
5- Os mais indicados são os Nobreaks Bivolt.
Os equipamentos bivoltagem são os mais indicados, pois, podem trabalhar indistintamente, com voltagens de 110, 127 e 220 V. No caso do Brasil isto é muito importante, pois essas diferentes tensões nominais convivem, muitas vezes, num mesmo bairro e até num mesmo prédio.
6- Maior tempo de autonomia desejável.
Alguns No Breaks podem receber a adição de baterias externas. Esta é uma grande vantagem, pois com isto, o usuário consegue aumentar em muitas vezes o tempo de autonomia.
7- É necessária uma Assistência Técnica na sua cidade.
Finalmente, é interessante o usuário se informar com sua revenda, para verificar se, determinada marca de No Break já foi efetivamente testada no mercado. Seja como for, ele deve procurar equipamentos de fabricantes que possuam rede de assistência técnica em todo o território nacional e, em especial, próxima de seu endereço.
Se o equipamento estiver acoplado a um sistema protetivo adequado, com um bom aterramento, as chances de queima da fonte chegam a cair para zero, o mesmo valendo para os periféricos. Na mesma linha de raciocínio, alguns fabricantes de No Breaks e Estabilizadores estimam que os micros desprotegidos têm mais de 60% de chances de queima de componentes e 90% de chance de travamento em caso de chuva forte.
Lembre-se que se em épocas de tempo bom os micros já são prejudicados pela má qualidade da rede elétrica, no período de chuva os riscos são potencialmente muito maiores.
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